IV Dia do Cuidador – Repensar a família, da lei ao potencial

Painel de Abertura
Dra. Ana Cunha, Vereadora do Desenvolvimento Social, Arqº António Bebiano, Presidente Junta de Freguesia de Esmoriz, Representante da Junta de Freguesia de Válega, Dr. Rui Dias, diretor clínico do Hospital Dr. Francisco Zagalo, Dr. Pinto Ribeiro, Presidente da LAHDO e a Presidente da AFPA, Dra. Conceição Graça.

Hoje foi um dia especial!

Comemorando o Dia do Cuidador Informal, a nossa associação organizou a sua 4.ª edição do Seminário, desta vez dedicada ao papel da família dos cuidadores familiares que desempenham um papel crucial.

Os motivos que levam a que o familiar seja o cuidador principal são, na generalidade, a disponibilidade de tempo para o fazer, o sentimento de obrigação e de dever, a influência histórica e os imperativos culturais. As instituições de solidariedade, por exemplo, estão nos sítios onde não chegam os grandes hospitais, ajudam as famílias e podem ajudar muito na formação às famílias, na capacitação de cuidar. 

As Termas de S. Jorge, parceiros da nossa Associação, estiveram presentes na Mostra deste 4.º Seminário.

Estiveram presentes serviços e produtos da AFPA, da ADCO (Associação de Diabéticos do Concelho de Ovar), da Clínica Médica de Maceda, do Sr. João Magalhães, em representação da editora Senhor dos Livros-Lusodidacta, da Unidade de Hospitalização Domiciliária, do Hospital Dr. Francisco Zagalo (Ovar), da Cruz Vermelha Portuguesa (secção de Ovar) e da LADHO (Liga dos Amigos do Hospital de Ovar), que ofereceu o coffee break a todos os presentes.

A AFPA firmou mais um protocolo de serviço com Letícia Valente Cabeleireiro e uma Parceria de Colaboração com o Centro de Dia da Fundação Pe. Pereira Pinho & Irmã, em Válega.

A Dra. Conceição Graça, Presidente da AFPA, a associação anfitriã, apresentou aquilo que tem sido o objetivo desta associação, o resultado das suas candidaturas aos projetos “Realizar sonhos 2018”, da Yazaki Saltano e “Movimento 1 Euro”, apresentando os benefícios que elas trouxeram para os seus utentes, bem como a candidatura à iniciativa promovida pelo Forum GovInt e os seus promotores, de âmbito nacional, que ao longo de 2019, procuram mobilizar e inspirar a sociedade portuguesa para a relevância estratégica da colaboração, que nos premiou com o selo do Ano Nacional da Colaboração, na divulgação da sua experiência inspiradora intitulada Projeto “Aqui+”, que utiliza abordagens de colaboração na sua intervenção, através de uma dinâmica colaborativa.

A AFPA, com este certame, organizou um dia dedicado à partilha de experiências de profissionais que desenvolvem a sua atividade em torno do Estatuto do Cuidador Informal e da (re)valorização e corresponsabilização da Família na mobilização de recursos para a criação de redes de apoio facilitadoras de uma maior autonomia e bem-estar do paciente.

A moderação dos diferentes painéis foi da responsabilidade da Dra. Graça Carrapatoso (Médica Coordenadora da Unidade de Dor Crónica e Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga e Presidente da Assembleia Geral da AFPA).

No primeiro painel, Rita Joana Pinheiro Maia, Cuidadora Informal há mais de duas décadas, cantora, compositora e professora de expressão musical, associada e colaboradora da Associação Nacional Cuidadores Informais (ANCI) desde a sua constituição, iniciou a sua intervenção, falando para uma audiência muito atenta e sublinhou, em jeito de crítica ao Estado Português, a importância da efetiva aplicação do Estatuto do Cuidador Informal, que ainda não está regulamentado e que define, entre outras medidas, um subsídio de apoio aos cuidadores, o descanso a que têm direito e as medidas específicas relativamente à sua carreira contributiva. Referiu que a ANCI quer que ele preveja o regime de trabalho sem perda de vencimento, assim como a necessidade de implementação de uma rede pública de colaboração que dê pronto apoio ao cuidador informal e à pessoa cuidada. Criticou o atraso na sua regulamentação, aludindo ao facto de o prazo (de quatro meses) estar a chegar ao fim.

Concluiu a sua intervenção afirmando que este Estatuto diz respeito a todos porque, afinal, todos nós somos cuidadores ou pessoas cuidadas.

O Paciente, José Carlos Jesus, de 58 anos, portador de AVC desde 2008 e uma Cuidadora Informal, Helena Ferreira, de 59 anos, há 15 anos dedicada por opção após situação de desemprego, a cuidar do irmão, com 55 anos, e do pai, com 84 anos, que esteve em direto, via Skipe, foram convidados a participar neste Seminário, dando o seu testemunho.

No seguinte painel, a Dra. Ana Rita Pacheco, Mestre em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e pós-graduada em Avaliação e Intervenção com Crianças e Adolescentes e formadora certificada pelo IEFP, com experiência em áreas de comportamento e desenvolvimento pessoal, referiu o facto do cuidador ter de lidar diariamente com situações que desafiam as suas capacidades e recursos, adiantando que quanto mais prolongada e intensa for a situação indutora de stress, piores serão as consequências para a sua saúde física e psíquica. Psicóloga em instituição de saúde, com intervenção direta em crianças, jovens, adultos e respetivas famílias, em dinâmicas individuais e grupais, estimulou os presentes a reflectirem sobre a gestão do seu stress, dando exemplos de alguns exercícios de relaxamento.  

No último painel, a Dra. Maria João Quintela, Licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, Presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, Vogal da Direção da União Distrital das IPSS Lisboa (UDIPSS) Lisboa e Vogal da Direção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), falou da posição da CNIS relativa ao papel da família. Defendeu que os cuidados devem ser valorizados e dignificados, afirmando que devem ser criados perfis de cuidadores e que eles sejam tratados no plural, lembrando que quem é cuidado também tem direitos fundamentais de que não nos podemos, nunca, esquecer.

No final deste encontro, Rui Sousa, do Teatro de Marionetas da Feira, apresentou um curto e animado espetáculo de fantoches, talvez o teatro mais tradicional português, com que encerrou este evento do Dia do Cuidador, realizado no Museu Escolar Oliveira Lopes, em Válega.

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